Ao longo dos últimos anos, há uma crescente preocupação com os resultados de pesquisas científicas sobre a saúde. Encontramos empresas farmacêuticas pagando por “artigos fantasma” com pesquisas sobre seus medicamentos, mas sem o rigor científico necessário. Sabemos de resultados negativos sobre métodos naturais de tratamento, apenas para descobrir depois que a pesquisa foi financiada por uma grande indústria farmacêutica. Com o acesso a internet, os resultados ficam ainda mais acessíveis e portanto, nos deixam com um grande número de pesquisas e resultados divergentes para que tomemos decisões sobre o que acreditar para nossa saúde e o que podemos deixar de lado. Uma confusão que só dificulta chegarmos a uma saúde melhor.

O problema da indústria farmacêutica

Boa parte das pesquisas sobre saúde que acaba disponível para nós foi financiada por alguma indústria farmacêutica. Em alguns casos, sabemos que os resultados foram verdadeiros, mas sempre ficamos com a pulga atrás da orelha de que há um interesse naquele resultado específico obtido e que o resultado foi manipulado de alguma forma.

Não é um pensamento muito errado. A exemplo, várias são as pesquisas que falam mal da homeopatia, e a grande maioria é financiada pela indústria farmacêutica ou divulgada por publicações que já tem um perfil “anti-homeopatia”. De certa forma, os resultados obtidos acabam sendo questionáveis, no mínimo. Acabamos em uma sinuca de bico onde não sabemos quando acreditar ou não em um resultado ou artigo publicado.

Pessoa certa para confiar sobre pesquisas científicas

Confie em seu profissional de saúde. Ele é quem vai saber melhor em quais resultados de pesquisas confiar ou não. (Foto: www.csmonitor.com)

Os resultados divergentes

Além das pesquisas “compradas”, temos o problema dos resultados divergentes. Uma mesma pergunta para um problema X pode obter diferentes resultados dependendo das técnicas usadas para a pesquisa ou até do lugar onde a pesquisa foi realizada.

Um exemplo simples é sobre o ciclo circadiano, ou seja, o ritmo do seu corpo. Vários artigos já disseram que você deve ter, em média, 8 horas de sono. Esses artigos também dizem sobre a importância de dormir à noite. Enquanto isso, outros artigos comprovaram que certas pessoas tem o ciclo circadiano diferente e podem trocar o dia pela noite sem resultados negativos para sua saúde. Quem está certo e quem está errado no fim das contas? Em quem você deve acreditar?

A importância dos profissionais da saúde

Você provavelmente não é um especialista em saúde e não estudou para isso. Provavelmente lê uma ou outra pesquisa isolada pela internet afora. Você fica, assim como eu, com a cabeça toda embolada quando vê dois resultados divergentes em diferentes pesquisas. Enquanto isso, o especialista em saúde, como um nutricionista ou médico, constantemente participam de congressos, leem e publicam artigos científicos sobre seus achados e estão sempre atentos às novidades.

No fim das contas, nós filtramos apenas uma parcela de um vasto mundo de artigos científicos disponíveis sobre a saúde, enquanto os profissionais responsáveis por nós estão sempre bem informados. Lógico, alguns deles não estarão tão atualizados. Mas também não podemos assumir que por causa de uma pesquisa que teve um resultado diferente na Rússia para o problema de saúde X que todas as outras pesquisas que deram outros resultados estão errados. E aí entra o papel mais importante na ciência.

O papel questionador da ciência

Quando uma pesquisa mostra um resultado diferente, vários outros cientistas começam a pesquisar sobre o mesmo tema e até a questionar os resultados. Assim sendo, essa “sabatinada” pela qual os artigos científicos passam é que vai confirmar ou não os resultados de uma pesquisa. Por isso quando uma pesquisa vem a público, ela raramente faz afirmações, geralmente apenas mostra os resultados. O tempo é que vai confirmando os resultados através da própria ciência, com mais pesquisas sobre o assunto, questionamentos e mais perguntas.

Portanto, quando você ver uma pesquisa sobre saúde sair na mídia, não vá achando que ela é verdade de cara. Veja se há outros resultados disponíveis. Veja se alguém já pesquisou a mesma coisa. Questione a fonte da pesquisa e tente identificar quem foi o financiador. Não acredite em tudo que você lê e confie naquele que realmente detém o melhor conhecimento sobre a saúde: o seu médico!

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